ENTREVISTA COM CAMILA DUARTE

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Mais uma vez estou aqui para postar uma entrevista muito bacana mostrando mais uma “caso” de sucesso no mercado de trabalho dos analistas internacionais! Muito obrigada à colega analista e amiga, Camila Duarte, que se disponibilizou a participar do Blog.

Fico muito feliz de poder contar sempre com os amigos, especialmente neste projeto que eu me orgulho tanto! Espero que voces gostem da entrevista tanto quanto eu! Confiram:

 

 

  • Nome: Camila Resende Duarte
  • Ano em que se graduou em RI: Dez/2009
  • Instituição de ensino onde se graduou em RI: PUC Minas
  • Idade: 24 anos
  • Cidade onde mora: Belo Horizonte
  • Empresa/instituição para a qual trabalha: Líder Aviação
  • Cargo exercido: Analista de Importação e Exportação
  • Há quanto tempo trabalha nesta empresa/instituição: 7 meses
Conte um pouco da sua trajetória profissional e sua situação atual

Desde o início da faculdade, minha grande preocupação era fazer estágios e procurar vivenciar um pouco de cada área que o curso de Relações Internacionais permite. Acredito que os estágios sejam a melhor opção para conhecer um pouco mais do curso superior escolhido e ajuda a definir os próprios interesses do estudante enquanto futuro profissional.

Logo no início do meu segundo período consegui uma vaga na Câmara de Comércio Índia-Brasil.  Foi uma experiência muito rica, principalmente por ter tido a oportunidade de aprender várias tarefas de setores diferenciados e, o melhor, logo no início do curso.  O trabalho diário era bastante diversificado e, em algumas circunstâncias, bastante dinâmico, visto que a Câmara é uma instituição de pequeno porte. Tive também a chance de ter contato com a cultura e o mercado indiano, ambos bastante distintos do dos costumes e mercado brasileiro. Permaneci na Câmara por um ano e meio, quando decidi me dedicar a um projeto de iniciação científica (PROBIC).

Vi neste projeto a oportunidade de desenvolver um trabalho acadêmico focado na minha área de interesse e que posteriormente pudesse ser aproveitado como a dissertação final de conclusão de curso. Neste meio tempo, concorri a uma vaga de estágio voluntário na Secretaria do MERCOSUL em Montevidéu e a uma bolsa em uma faculdade local, também na área das Relações Internacionais. Fui aceita e passei quatro meses aprendendo diariamente sobre a dinâmica desta organização internacional. Assunto este aprendido e discutido apenas em sala de aula até então. Foi muito interessante trazer e aplicar o conhecimento acadêmico na realidade. Na volta à PUC dei sequência ao PROBIC. Passei um ano em regime de dedicação exclusiva ao projeto acadêmico. Paralelamente, fora do horário de dedicação, participei de um projeto voluntário voltado para a área de Comércio Exterior desenvolvido pela Central Exportaminas. Nele alunos de graduação das áreas de Comex, Administração e RI, ficaram responsáveis por elaborar um plano de ação para internacionalizar micro, pequena e médias empresas de Belo Horizonte e da região metropolitana. Foi minha primeira experiência com o comércio exterior de fato.

Após o término do programa, comecei a trabalhar como bolsista na Secretaria de Ciência, Tecnologia e Ensino Superior do Estado (SECTES). Foram cinco meses de aprendizado intenso. O trabalho serviu como instrumento para melhorar minhas habilidades e desenvolver outras várias, principalmente no quesito contato com público. Apesar de ter permanecido apenas cinco meses na instituição, fiquei muito feliz com o trabalho realizado, pois ao final vi um projeto tomar corpo e ser concluído com excelência. Além disso, conheci profissionais bastante competentes que me ensinaram muito, cujo conhecimento levarei para a vida.

Atualmente trabalho no setor de Importação e Exportação da Líder aviação, empresa especializada em táxi áereo. Meu foco é cuidar da parte logística da exportação de peças e parte de aeronaves de forma a aumentar a eficiência e diminuir os custos das operações. Nesta empresa há outros profissionais de Relações Internacionais, inclusive em outros setores. Se pudesse escolher uma palavra que defina um analista internacional, hoje, seria: versatilidade.

Quais são seus objetivos profissionais?

Atualmente tenho a ambição de ascender profissionalmente na empresa em que trabalho. Para tanto busco realizar minhas funções com bastante zelo e atenção, bem como propor soluções inovadoras, mesmo que simples, visando sempre o aperfeiçoamento.

Quanto tempo demorou para conseguir seu primeiro emprego na área?

Dois meses antes da formatura já estava empregada na Secretaria do Estado, porém como bolsista. O primeiro emprego formal veio na sequência, portanto posso dizer que não parei minhas atividades em nenhum momento desde a conclusão do curso superior.

Fez intercâmbio? Onde e quando? Em que medida acredita que isto afetou positivamente a sua carreira?

O aprendizado de idiomas é uma preocupação dos meus pais desde meus tempos de escola. Aos dez anos comecei um curso de inglês com uma professora particular. Ainda no colégio participei de um curso de verão, com duração de um mês, na Espanha para desenvolver o idioma. Depois, já no ensino médio, passei um ano de intercâmbio nos Estados Unidos, em uma cidade no interior do estado do Arkansas. Este ano foi fundamental para desenvolver meus conhecimentos de inglês, os quais viria a usar com frequência ao longo de todo o ensino superior. Por fim, como mencionado anteriormente, fiz um intercâmbio acadêmico/profissional no Uruguai. Aproveitei para retomar os conhecimentos da língua espanhola.

Quantos idiomas você fala? Quais? Possui certificado de formação nestes idiomas? Acha importante?

Atualmente, falar o inglês deixou de ser um diferencial e passou a ser uma obrigação para quem almeja uma boa colocação profissional. Com o aumento cada vez mais rápido das interações entre os países em diversos âmbitos, criou-se a necessidade de encontrar um denominador comum que regesse essas interações. Portanto, o inglês foi rebaixado a um patamar inferior na escala de idiomas que destacam um profissional.

Para mim, é de extrema importância que um profissional de qualquer área do conhecimento busque aprimorar suas habilidades em outras línguas, pois há inúmeras oportunidades de trabalho no exterior, bem como bolsas de estudo, e um aumento crescente de grandes empresas multinacionais no Brasil.

Tenho fluência nos idiomas inglês e espanhol.  No início da faculdade comecei um curso de Mandarim por acreditar no potencial de crescimento e influência da China. Consegui reunir cinco outros estudantes para formar uma turma, pois são escassos os professores que lecionam esse idioma em Belo Horizonte. Infelizmente não pude dar continuidade em função dos estágios, mas tenho muito interesse em retomar. Recentemente iniciei um curso de francês. Assim que estiver mais avançada procurarei pelo curso de alemão também. Além do interesse por línguas estrangeiras, acho fundamental este tipo de aprendizado e acredito sim ser um diferencial.

Fez mais algum outro curso de graduação? Qual e Por quê? / Fez pós-graduação? Em que área?

Sou formada apenas em Relações Internacionais e estou buscando por uma bolsa de estudos em universidades no exterior para fazer um mestrado ou MBA. Estou atenta às oportunidades e espero uma colocação para o fim deste ano ou meados do próximo.

Em sua opinião, qual a maior dificuldade de um analista de RI com relação ao mercado de trabalho?

A falta de conhecimento de diversos empregadores acerca da área de Relações Internacionais dificulta no momento da contratação. Na minha visão, o profissional de RI é bastante completo, principalmente, em percepção analítica. O curso oferece inúmeras ferramentas que permitem ao aluno desenvolver habilidades nas áreas econômica, política e social, além de planejamento e gestão. As empresas que possuem programas de trainee tem percebido esse fato e vem explorando o potencial dos estudantes e profissionais de RI.

Apesar de conseguir se encaixar em diversas atividades nas mais variadas áreas, o profissional de RI ainda não tem uma função específica, diferentemente de um médico, um advogado, um economista ou um dentista, por exemplo. Acredito que haja certo receio por parte do estudante, do próprio profissional e, principalmente, do mercado de trabalho neste sentido.

Em que medida seus relacionamentos interpessoais (networking) foram importantes na sua carreira?

Manter bons relacionamentos permite a qualquer pessoa acesso a informações que podem lhe beneficiar, mas não digo isso como forma de obter vantagens. Através de uma rede de contatos é possível saber o que está acontecendo no mundo e ao seu redor em termos de oportunidades. Como cada pessoa está inserida em um contexto distinto, é mais fácil transitar por esses ambientes se você tiver bons relacionamentos.

No meu caso especificamente, foi através de uma antiga companheira de faculdade e colégio que fiquei sabendo da vaga para trabalhar na SECTES. O mesmo ocorreu no meu local atual de trabalho, onde compartilho minhas funções com uma companheira de sala. Dessa forma, manter uma boa rede de contatos pode abrir várias portas e é sempre recomendável buscar ampliar essa rede ao longo da vida profissional. Estar atento é fundamental. Contudo, não basta ter um excelente networking e esquecer-se de zelar pelo bom desempenho do seu trabalho, afinal, você depende dele para ser reconhecido/valorizado e dar passos cada vez maiores.

Se pudesse dar alguma dica aos futuros analistas internacionais qual seria? E para os colegas que já são analistas, mas têm dificuldades de se posicionar no mercado de trabalho?

Para todos indico estar SEMPRE atento às oportunidades e traçar um projeto de vida. Digo isso para que o estudante ao escolher o curso de Relações Internacionais saiba como colher frutos no futuro através desta escolha. Como o curso oferece diversas possibilidades de atuação, sugiro que o futuro analista foque em uma área que tenha mais interesse e se dedique a ela, buscando constantemente oportunidades naquela área específica. Assim é possível minimizar os efeitos causados pela dúvida diante de tantos caminhos a escolher. Claro que durante a graduação as circunstâncias podem conduzir o estudante para outros caminhos, porém, tudo fica mais fácil quando há um direcionamento prévio.

Aos analistas internacionais, companheiros de profissão, sugiro não aceitar empregos que não se enquadrem em seus planos profissionais apenas por falta de opção. Busquem por oportunidades em empresas, instituições, órgãos ou atividades independentes que tenham a ver com aquilo que você queira trabalhar. Em ambientes com os quais você se identifica será mais fácil desenvolver suas habilidades, afinal, estamos falando de algo que demandará muito tempo e dedicação. Caso o trabalho seja uma necessidade e você tenha que aceitar algo que não vá ao encontro da suas expectativas, encare essa oportunidade como um desafio passageiro até encontrar aquilo que verdadeiramente goste. “Nãos” são muito comum, então a palavra desistir não deve fazer parte do vocabulário do analista internacional. Use de uma boa argumentação, desde que embasada, em prol da sua carreira durante os processos seletivos e entrevistas.

Atenção às oportunidades e sucesso a todos!

Gostou da entrevista? Ainda tem dúvidas? Deixe sua mensagem aqui!

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