ENTREVISTA COM JOANA BARCELOS

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Joana Barcelos: “O analista internacional é um agente de aproximação das realidades locais e globais”

A analista Internacional Joana Barcelos possui uma vasta experiência quando o assunto é relacionamento institucional e relações internacionais de governos subnacionais. Atuou na Subsecretaria de Relações Internacionais  do Rio de Janeiro (SSRI), onde teve a oportunidade de participar da organização de grandes eventos, como a Jornada Mundial da Juventude (JMJ 2013) e a Conferência das Nações Unidas para o Desenvolvimento Sustentável (RIO+20). Posteriormente, ingressou no Comitê Organizador dos Jogos Olímpicos e Paralímpicos Rio 2016 com funções de relacionamento com governos locais, relações internacionais e operações de protocolo.

Em entrevista exclusiva ao What’s Rel?, Joana comenta suas impressões acerca da atuação internacional de unidades subnacionais, a chamada Paradiplomacia ou Cooperação Internacional Descentralizada, e as características que um analista internacional deve desenvolver para atuar na área. “O profissional precisa ter uma base de conhecimento ampla acerca da realidade doméstica”, explica Joana Barcelos ao falar do papel do internacionalista na promoção do intercâmbio de políticas públicas.

Com know how em Paradiplomacia e relações com governos, nossa entrevistada conta com riqueza de detalhes todas suas experiências profissionais, desde o estágio em COMEX até seu emprego mais recente. Atualmente no Departamento de Novos Projetos e Operações de Protocolo do Comitê Olímpico Brasileiro (COB), Joana fala também sobre o processo de escolha do seu MBA em Gestão de Projetos e de como ele tem sido importante para sua carreira. Aborda as vantagens de se fazer um intercâmbio e a importância do estudante de RI buscar estágios diversos e trabalhos voluntários para começar a construir um bom networking: “A exposição pode promover uma série de oportunidades não observadas”, diz.

Confira abaixo a entrevista completa com a analista internacional Joana Barcelos.

Joana, a Paradiplomacia tem se intensificado no Brasil desde a primeira década dos anos 2000. Como você vê o cenário atual de internacionalização de estados e municípios?

O fenômeno da paradiplomacia foi meu tema de trabalho de conclusão de curso da faculdade. Nele, trabalhei a ação externa das unidades subnacionais, especificamente, tratando da atuação do estado do Rio de Janeiro na Conferência das Nações Unidas para o Desenvolvimento Sustentável, Rio+20, realizada em junho de 2012.

Uma das referências utilizadas foi o estudo realizado pelo Professor Clóvis Brigagão denominado como “Diretórios de Relações Internacionais Federativas no Brasil” (Brigagão, 2005). Esse estudo mostrou que dos vinte e sete (27) Governos dos Estados da Federação Brasileira, dezenove (19) possuíam setores específicos de relações internacionais, em 2005, os quais representam 70,3% das unidades estaduais da Federação Brasileira.

Dessa maneira, a intensificação do fenômeno da paradiplomacia é um fato, de modo que, ainda que as unidades subnacionais (municípios, estados, províncias, departamentos, etc.) não sejam atores centrais da política externa, elas se destacam como um novo ator no contexto atual das relações internacionais, marcado pelo pós-Guerra Fria e pela globalização.

Vejo esse processo de maneira extremamente positiva, uma vez que, essas unidades estabelecem relações de diferentes natureza com outros atores no cenário internacional, objetivando além de promover seus interesses no plano global, como a temática do desenvolvimento sustentável, ajudar a promover sua imagem positiva no contexto de sediar importantes eventos internacionais.

Dentro de suas competências municipais ou estaduais, as unidades subnacionais atuam, por exemplo, estabelecendo relevantes convênios, acordos, memorandos de entendimento voltados para a cooperação técnica nas áreas de educação, segurança, saúde, etc.

A analista internacional Joana Barcelos foi premiada por sua monografia sobre Paradiplomacia

Do ponto de vista do mercado de trabalho, quais características e conhecimentos, em sua opinião, um analista internacional deve ter para trabalhar em áreas internacionais de atores subnacionais?

O analista internacional é um importante agente de aproximação entre as realidades locais e globais. Por isso, esse profissional precisa possuir uma base de formação multidisciplinar e habilidade para dialogar e compreender diversos cenários e espaços. Em adição, o profissional precisa, por exemplo, ter uma base de conhecimento ampla acerca da realidade doméstica, se considerada uma das demandas de diálogo na dimensão subnacional – governamental que tem sido o intercâmbio de políticas públicas também conhecidas como “boas práticas”. Dessa forma, a identificação de experiências no âmbito internacional que possam ser adaptadas e aplicadas ao contexto interno requer do analista o desenvolvimento desse perfil dinâmico. A cargo de exemplo, esse intercâmbio de políticas públicas e boas práticas (cooperação) pode permear diversas áreas, como educação, sustentabilidade, mobilidade urbana, práticas agrícolas, saúde, etc.

Se considerarmos o braço de ação vinculado à área de financiamentos externos, cabe considerar que a área demanda dos profissionais uma postura extremamente flexível e de perfil bem articulado, apto a trabalhar a questão da negociação dado o fato de que os coloca de frente com a necessidade de captação de recursos para projetos locais, o que geralmente é feito juntos às instituições financeiras globais.

E como foi sua experiência na área internacional do Governo do Estado do Rio de Janeiro? Poderia nos contar como ingressou na área, suas promoções, cargos, rotina de trabalho, atividades etc.?

A Subsecretaria de Relações Internacionais (SSRI) funciona como o interlocutor entre o Governo do Estado do Rio de Janeiro e os atores internacionais. O órgão é estruturado com base em cinco áreas de atuação: Assessoria Especial, Relações Institucionais, Cooperação Internacional, Comércio e Investimentos e Financiamentos Externos.

Ingressei no departamento, por meio de um convênio entre a faculdade (Unilasalle – Niterói, RJ) e a Subsecretaria. A faculdade lançou um edital de abertura de processo seletivo para estágio no qual me inscrevi. O processo seletivo compreendeu duas etapas: avaliações internas na faculdade e, posteriormente, entrevista com o chefe do Departamento.

Na Subsecretaria, atuei em três posições: estagiária (de junho de 2011 a maio de 2012); Assistente de Relações Internacionais (de maio de 2012 a agosto de 2013); Assessora de Relações Institucionais (de agosto de 2013 a julho de 2014).

Como estagiária, as minhas principais atividades eram: auxiliar nas demandas do Subsecretário de Relações Internacionais e demais assessorias, elaborando pesquisas voltadas para a área internacional, no que tange o Estado do Rio de Janeiro e outros atores; entre as atividades constava a preparar perfis institucionais, regionais e de autoridades destinados à formação de briefings necessários às Missões Oficiais do Governador do Estado do Rio de Janeiro ao exterior.

Posteriormente, com a promoção à Assistente de Relações Internacionais, passei a auxiliar de forma mais direta na organização de eventos, reuniões e visitas de delegações estrangeiras. Nesse intervalo, tive a oportunidade de trabalhar em ações e projetos como a Jornada Mundial da Juventude (JMJ 2013), em especial, atuando como apoio na Comissão Governamental de Relações Internacionais e na Conferência das Nações Unidas para o Desenvolvimento Sustentável (RIO+20), nessa ocasião, como apoio no Grupo de Trabalho de Comunicação do Governo do Estado do Rio de Janeiro.

Já como Assessora de Relações Institucionais, conduzia, em conjunto com a Assessora-Chefe da área, os temas institucionais da Subsecretaria, tais como i) as audiências do Governador com autoridades estrangeiras e ii) o relacionamento com o Corpo Consular acreditado no Rio de Janeiro; iii) organização e  das Missões Oficiais do Governador e comitiva ao exterior: atualização constante da agenda; aspectos logísticos bem como a  coordenação da preparação que consistia em gerar e  consolidar o material de apoio. Assim como ocorreu na função anterior, tive a chance de participar de alguns projetos, como a Copa do Mundo FIFA 2014, em sua fase de preparação e planejamento, realizando o relacionamento institucional com corpo Corpo Consular e Embaixadas na prestação de apoio institucional a agendas e eventos paralelos.

Em 2014, você passou a trabalhar no Comitê Organizador dos Jogos Olímpicos e Paralímpicos Rio 2016. Novamente, como foi sua experiência?

Após receber o anúncio da vaga na área de Relações Institucionais e Governamentais no Comitê Organizador dos Jogos Olímpicos e Paralímpicos Rio 2016 mesmo na dúvida – já que o cargo que ocupava vinha atendendo as minhas expectativas – me inscrevi. Cabe ressaltar que durante a vida profissional é necessário tomar decisões e estabelecer estratégias de carreira. Após o cálculo acerca dos potenciais benefícios profissionais, entre eles trabalhar naquele que é considerado um maiores eventos realizados no Rio de Janeiro não parecia de todo mal, embarcar em um novo desafio do tamanho dos Jogos Olímpicos e Paralímpicos. Naquele momento, do ponto de vista acadêmico-profissional tendo acabado de entrar na reta final do MBA em Gerenciamento de Projetos. O que de certa forma, consolidava a decisão que estaria por tomar.

Decisão tomada: me inscrevi. Passei pelo processo seletivo da empresa e em julho de 2014 iniciei no Comitê Organizador dos Jogos Olímpicos e Paralímpicos Rio 2016, especificamente, na área de Relações Institucionais e Governamentais. Dentre as atividades a principal era gerenciar uma série de visitas técnicas de delegações nacionais e internacionais às instalações olímpicas e paralímpicas de competição. Essas visitas faziam parte das prioridades do Comitê diante das regras pelas quais as instalações deveriam atender. Dessa maneira, havia o imperativo de negociar com os órgãos governamentais responsáveis pelas instalações as melhores condições para realização das visitas.

Em um segundo momento, aproximando-se da fase operacional dos Jogos, atuei na área de Relações Internacionais e Operações de Protocolo. Dediquei-me às atividades relacionadas à assessoria da gestão como um todo (planejamento, cronograma de entregas, orçamento, recursos humanos), permeando todas as áreas relevantes do departamento (Programa de Dignitários Domésticos e Internacionais dos Jogos, Serviços à Família Olímpica e Paralímpica e Protocolo nas Instalações). Além disso, fui responsável pela consolidação de informações junto às gerências do departamento para desenvolvimento de relatórios e documentos de planejamento e à assessoria nas relações e comunicações com as contrapartes de Protocolo no nível doméstico (governos municipal, estadual e federal) e no nível internacional junto ao Comitê Olímpico Internacional e Comitê Paralímpico Internacional.

O trabalho em um Comitê Organizador demanda muito no aspecto profissional dado o ritmo acelerado, mas é uma experiência única. No caminho, pude ampliar meu networking e conhecer o incrível e imenso mundo olímpico, que até hoje, felizmente, permanece presente na minha vida.

Atualmente você continua no Comitê Rio 2016? Poderia explicar sua função?

Não. O meu contrato com o Comitê Organizador foi finalizado em outubro de 2016. Desde novembro trabalho no Comitê Olímpico do Brasil (COB). Digo isso porque é valido destacar a diferença entre os Comitês Organizadores e os Comitês Olímpicos. O Comitê Organizador é uma empresa sem fins lucrativos, montado com a função específica de promover, organizar e realizar os Jogos da cidade-sede eleita. Ele se mantém por meio dos direitos de transmissão, venda de ingressos e produtos oficiais e patrocínios. Dessa maneira, trata-se de uma estrutura temporária: quando os Jogos acabam, o trabalho do comitê também se encerra.

Por outro lado, o Comitê Olímpico é uma organização não governamental que trabalha na gestão técnica-administrativa do esporte, tendo como função fomentar o esporte olímpico brasileiro, preparar as delegações olímpicas brasileiras, por exemplo, para participar não só dos Jogos Olímpicos, mas dos Jogos Sul-Americanos, Pan-Americanos, etc.

Agora falando da minha atuação no COB. Trabalho no Departamento de Novos Projetos e Operações de Protocolo. Nesse sentido, são duas linhas de atuação. No que tange os projetos especiais, que podem ser institucionais ou temáticos e específicos com dimensão e alcance internacionais, tenho como atividades: coordenar, planejar, formatar, detalhar, estimar custos e cronograma de projetos isso junto à gerência da área além de participar de reuniões e elaborar relatórios técnicos da área.

Já em relação às operações de protocolo, somos responsáveis pelos aspectos protocolares existentes nos eventos: tais como audiências, sessões, etc. da Presidência do Comitê Olímpico do Brasil. Dessa maneira destacaria: a lista de convidados e a observância das ordens de precedência, planejamento de lugares de honra, placas comemorativas, bandeiras, hinos, presença de autoridades, discursos, etc.

Você também atuou na área de COMEX. Muitos analistas internacionais trabalham na área. Como foi sua experiência?

Após ter passado cerca de 2 anos atuando na empresa júnior da Unilasalle, comecei meu primeiro estágio. Eu atuava como Assistente de Exportação em uma trading. Minhas atividades eram: acompanhar processos de exportação, desde as etapas de liberação de licença da mercadoria, programação de embarque e documentação até a chegada do produto em seu destino final. Atuava também na intermediação entre o cliente (empresa canadense) e fornecedores brasileiros (exportadores), objetivando a conclusão da compra e venda dos produtos negociados pelo trader e distribuição dos mesmos ao importador (mercado africano).

Em relação a essa a experiência cabe destacar que a área de COMEX é responsável por desenvolver o dinamismo e a boa articulação na área de negócios, sobretudo na parte comercial, e extrema cautela, pois demanda o cumprimento e a observância das burocracias nacionais e regras internacionais de ordem cultural, comercial, logística, financeira, etc.

Uma dúvida muito frequente de nossos leitores é quando começar a fazer um MBA ou Mestrado. Você fez um MBA em Gerenciamento de Projetos logo após se formar. Houve algum motivo? E por que a escolha desse curso e como ele tem contribuído profissionalmente para você?

Eu me formei em dezembro de 2012 e realmente não foi uma decisão muito fácil. O que eu tinha como certeza era: o objetivo de busca de aperfeiçoamento em uma área específica com carga de grade curricular mais prática e focada no mercado de trabalho e na parte de gestão. Mas gestão em quê? Então optei por não ingressar em um MBA logo no primeiro semestre, para ganhar mais tempo pesquisando para entender qual curso poderia contribuir mais com minha experiência, sobretudo em atuação em mega eventos.

Ao longo desse tempo, realizei pesquisas sobre os cursos e optei, então, pelo curso de Gerenciamento de Projetos, em setembro de 2013, na Fundação Getúlio Vargas. Ao meu ver, o curso me daria ferramentas para trabalhar diversos aspectos envolvidos em um projeto: a gestão de pessoas, recursos, tempo, orçamento, riscos, comunicação, qualidade, stakeholders, etc., além de possibilitar o estudo com relação à negociação e administração de conflitos em projetos. E, de fato, foi uma decisão acertada.

Profissionalmente, o MBA foi e é de grande contribuição, sobretudo no Comitê Organizador e no trabalho atual, na área em que me encontro: a de Novos Projetos. Por meio desses conhecimentos que adquiri na especialização, exerço com maior segurança as minhas atividades diárias. Até porque, para executar um projeto é preciso observar e cumprir toda uma prática de gestão, tanto nas etapas de planejamento quanto na de execução, com vistas à eficiência e eficácia do empreendimento.

Você fez intercâmbio na França? Pode nos contar sua experiência, por favor?

Eu participei do Programa de Liderança e Compreensão Global da faculdade. Para participar, passei por algumas etapas: análise do histórico escolar, prova escrita e entrevista.

Eu fiz parte do Programa realizado em Beauvais, na França, em junho de 2012. A faculdade na qual estudei (Unilasalle) possui ação em 83 países do mundo e a nossa base foi o Institut Polytechnique Lasalle Beauvais.

Além de promover uma viagem de estudos, com aulas e dinâmicas tratando do tema da liderança em diferentes tipos de instituições (setor privado, ONGs, setor público, etc.), o programa realizou um encontro com sete universidades lasallistas de diferentes países. Sendo assim, foi uma viagem muito rica também do ponto de vista cultural, de compreensão de diferentes realidades e de interação com a população francesa local.

Acredito que as experiências ou intercâmbios internacionais são um diferencial não só para os profissionais de Relações Internacionais, mas também de outras áreas, pois o mercado hoje busca pessoas que tenham visões de mercados globais e de maiores campos de atuação.

Nossos leitores, em grande parte, estão começando a carreira ou ainda são estudantes. Valendo de sua experiência, quais conselhos e dicas você daria aos futuros internacionalistas?

Para aqueles que planejam estudar Relações Internacionais ressaltaria que é um curso em sua grande parte teórico e multidisplinar, que exige uma grande carga de leitura acerca de diversas teorias e temas, como política, direito, economia, sociologia, geopolítica e história, que possuem total conexão e integração. Ao meu ver, isso é extremamente válido e enriquecedor, de modo que, o curso forma profissionais multifuncionais, com capacidade de atuar em diversas áreas.

No curso de RI, grande parte desse conteúdo é em inglês e, por isso, na minha opinião, é fundamental o domínio da língua. Outras línguas também julgo importantes, sobretudo, para quem sonha em seguir a carreira diplomática.

A fim de experimentar e colocar em prática os conhecimentos, muitos alunos participam de simulações de negociações diplomáticas e comerciais, o que exige um amplo conhecimento sobre política externa, economia, questões culturais e sociais, que servem de embasamento nas defesas.

Para aqueles que estão iniciando a carreira, minha sugestão é que não deixem de realizar estágios mesmo em áreas que não sejam a número um, digamos assim, da sua lista de preferências. A exposição pode promover uma série de oportunidades não observadas. Delas, podem surgir tantas outras, como é o caso de jovens que se inscrevem em programas de voluntários em grandes eventos e projetos e a partir disso estabelecem um interessante networking. Dessa forma, ganham espaço e oportunidade de mostrar suas qualificações e habilidades.

Acredito que a prática nos permite um direcionamento em termos de mercado de trabalho e amplia os horizontes já que nos expõe a experimentações de ambientes e funções. Um estágio, por exemplo, é apenas um primeiro passo para a carreira profissional, mas de extrema importância, no sentido de colocar em prática a teoria aprendida em sala de aula e de trabalhar a disciplina, a responsabilidade, o comprometimento e a visão de mercado, além do cumprimento às regras e normas e respeito à hierarquia, exigidas pelo ambiente corporativo.

Foto do acervo pessoal de Joana quando trabalhava para a Subsecretaria de Relações Internacionais do Rio de Janeiro

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