Intercâmbio na França: depoimento de uma internacionalista no país europeu

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Continuando nossa série sobre intercâmbios, hoje publicamos o depoimento da analista internacional Nicole Turcheti, que esteve na França no ano de 2007. Para os leitores do What’s Rel?, Nicole fala da sua experiência, das dificuldades enfrentadas e dos frutos positivos da sua viagem

Foi a França o cenário da minha mais belle époque como estudante de Relações Internacionais. Condensadas em apenas seis meses vivi lá algumas das experiências mais incríveis e doces da minha vida.

Os motivos de ter optado pela França como destino são vários. Eu queria um país que fosse interessante culturalmente, que tivesse reconhecimento internacional pelo ensino e pesquisa em Relações Internacionais, e onde eu não precisasse me preocupar com questões de segurança. Eu buscava ainda um lugar que me permitisse aprender outra língua além do inglês. Outro fator que pesou bastante foi o fato de que morando na França seria fácil viajar e conhecer outros países, tendo em vista as curtas distâncias e a facilidade de locomoção na Europa.

A França superou as minhas expectativas em todos esses requisitos. A língua francesa, essencial para vivenciar tudo o que o país tinha a oferecer, me era bem rudimentar no início. Me lembro bem da minha primeira interação por lá. Foi na estação de trem em Paris, onde pegaria o trem para a cidade onde iria morar: Grenoble. A atendente me falou o valor a ser pago e eu, cansada das minhas 30 horas de viagem, não conseguia entender o que ela dizia. Não ajudavam o mau humor da parisiense nem o fato de os números em francês serem um bocado estranhos (70, por exemplo, se diz “sessenta dez”). De qualquer forma, consegui me virar pedindo para ver o valor na tela do computador.

Mas eu não era a única intercambista com dificuldades para comunicar. Aliás, todos os meus vizinhos de quarto passaram pela mesma experiência. Nós resolvemos então fazer um acordo de que falaríamos apenas francês na casa e apelaríamos ao inglês somente após esgotarmos as tentativas de nos fazer entender na língua que tentávamos aprimorar. A estratégia deu certo e meu francês foi melhorando e me permitindo aproveitar cada vez mais o que a França tinha a oferecer.

E era muito. Foi tanta novidade e aprendizado nesses seis meses que é difícil descrever. Quando eu embarquei nessa aventura eu tinha apenas 20 anos e nunca tinha viajado para outro país. Por isso, até as pequenas coisas tinham um gostinho ímpar para mim. Acho que apenas o colega de RI da PUC que eu tive a sorte de ter ao meu lado no mesmo programa de intercâmbio conseguiria compreender bem o que significou para mim esses seis meses na França. De fato, compartilhar essa experiência nos fez amigos para a vida toda.

Apesar de considerar a experiência de vida sem dúvida o maior benefício, o intercâmbio na França também trouxe frutos profissionais. Muitas empresas e outras organizações vêem um intercâmbio internacional de forma positiva, uma espécie de indicador de que você consegue lidar bem com pessoas diferentes e situações inusitadas.

E é exatamente isso que você faz o tempo todo em um intercâmbio: se adaptar. Você se depara com situações desafiadoras e pessoas que têm uma perspectiva de mundo completamente diferente da sua. E, como nós internacionalista sabemos bem, é preciso tratar as diferenças culturais com cuidado. E não é só isso. Há questões mais práticas também, como o clima, regras e leis diferentes, ou até mesmo os procedimentos para abrir uma conta bancária ou adquirir um serviço.

Mas o importante é ter molejo e uma pitada de bom humor. Com eles você sempre consegue achar uma saída. Desde que você não se esqueça de trazê-los na bagagem, seu intercâmbio tem tudo para ser uma das melhores experiências da sua vida.

Nicole Turcheti é analista internacional e fez intercâmbio de RI em Grenoble, França, em 2007.

 

Leia nossos posts da série sobre intercâmbio.

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