Intercâmbio na Holanda: uma analista internacional na cidade de Haia

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A Holanda é a sede do Tribunal Penal Internacional, da Corte Internacional de Justiça e de outras organizações internacionais. Um destino importante para internacionalistas em busca de experiências no exterior. A analista internacional Monique Poggiali contou ao Whats Rel? como foi seu intercâmbio na cidade holandesa de Haia.

Universidade de Haia

“Fui para a Universidade de Haia em Janeiro de 2008, após passar por um processo seletivo que envolvia prova de proficiência em inglês, redação, análise de currículo e entrevista com uma banca examinadora composta por professores do curso de RI e funcionários da Secretaria de Relações Internacionais da Puc Minas. Participei de processos seletivos para a França e Estados Unidos também, mas a Holanda era a minha primeira opção. Fazer um intercâmbio acadêmico era um sonho antigo, já que sempre gostei muito de viajar e ter experiências fora do país.

Eu queria muito ir pra Haia porque, sendo estudante de RI, acreditava que estudar na Capital internacional da Justiça e da paz seria uma experiência única e enriquecedora para a minha carreira. A cidade é sede do Tribunal Penal Internacional, da Corte Internacional de Justiça, de Organizações Internacionais e bastante conhecida por ser o lugar onde conflitos são prevenidos e solucionados de forma pacífica. Haia é uma cidade que respira Relações Internacionais diariamente.

Foi amor a primeira vista! Além de a cidade ser linda, a Universidade é extremamente moderna e organizada. O próprio escritório de Relações Internacionais de lá nos alocou em apartamentos estudantis e nos ajudava com qualquer problema que encontrávamos no país: desde roupas de cama e utensílios de cozinha a seguro saúde e visto. Havia também uma organização estudantil que era encarregada de ambientar os estudantes internacionais, promovendo encontros, jogos, festas e viagens.  Me lembro que já na primeira semana fizeram um “treasure hunt” pela cidade com o objetivo de nos apresentarem os principais pontos turísticos. Organizaram também um fim de semana em uma fazenda localizada em Ameland (ilha holandesa).

Me chamou atenção a diferença de organização das aulas na Universidade. As matérias eram dividas em “Terms” que duravam poucas semanas, mas os estudos eram bastante intensos. Cursei 9 matérias que pude aproveitar na grade oferecida pela PUC Minas, algumas delas são: European Regional Policy, International Marketing, Contemporary Political Issues, East-West Relations, Human Rights… Fazia também aulas de francês, por opção e de Dutch Culture. Esta última era obrigatória e durou o semestre inteiro, mas foi uma das mais interessantes que cursei. Abordávamos temas como a Monarquia Holandesa, a relação da Holanda com a água e o fato de país estar abaixo do nível do mar. Fazíamos também excursões, como quando fomos a  Keukenhof ver a exposição de orquídeas, e uma visita muito interessante a um portão gigante que a Holanda construiu no mar para barrar a entrada de água (storm barrier).Sem dúvida alguma foi uma experiência maravilhosa que recomendo a todos os estudantes de Relações Internacionais. Não apenas pela oportunidade de conhecermos outras culturas e praticarmos outro idioma, algo tão importante na nossa carreira. Mas realizar estudos acadêmicos em uma Universidade fora do país nos dá outra visão da área, me chamava atenção a metodologia e a forma como abordavam os temas. Voltei com uma visão diferente de cooperação internacional, algo tão importante na Europa, e me aprofundei em assuntos como a Guerra Fria (que depois virou tema da minha monografia) e marketing internacional (matéria que não temos na grade da Puc Minas e pela qual me apaixonei).

Conheci diversos países no período e fiz amigos de todos os lugares do mundo, mas uma amizade em especial marcou minha vida para sempre! Fiquei amiga de uma Armênia, que residia na Rússia desde muito nova. Éramos inseparáveis!!! Ela viveu a época da Guerra Fria e a família, com a extinção da União Soviética, acabou se mudando para a Rússia devido as péssimas condições em que a Armênia ficou com o fim da URSS. Passávamos horas cozinhando e conversando, dividindo nossas experiências em países tão diferentes, mas ao mesmo tempo tão parecidos. Conversar com ela era como ler um livro, um aprendizado sem fim. Somos amigas até hoje e já nos encontramos duas vezes desde que o nosso intercâmbio terminou.

Tribunal Penal Internacional em Haia

É difícil encontrar um ponto negativo nessa experiência. Claro que tive problemas, momentos em que a saudade apertava, em que estranhava hábitos ou comidas. Mas foi algo tão positivo e enriquecedor que minha memória só tem coisas boas para falar.

A experiência do intercâmbio, além de ter me proporcionado amadurecimento, me deu “pontos” para conseguir um estágio na Central Exportaminas, agência do Governo com o objetivo de promover a exportação do Estado.

Acabei depois decidindo estudar para concursos e hoje sou Auditora Fiscal do Estado do Rio de Janeiro. Apesar de não estar mais efetivamente na área, tenho tido diversas oportunidades no trabalho de utilizar meus conhecimentos de RI. Sou Assessora Chefe do Subsecretário de Estado de Receita e, pelo fato de falar outros idiomas, sou requisitada para reuniões com empresas multinacionais e Organismos Internacionais como o PNUD. Além disso, em 2014, fui selecionada pela Secretaria de Fazenda para cursar o Programa Minerva, na George Washington University. Passei quatro meses estudando finanças públicas e economia e visitando instituições americanas e internacionais em Washington e Nova York, com o objetivo de me capacitar para assumir cargos na Administração Pública.”

 

 

E você, teve uma experiência incrível em intercâmbio no exterior? Escreve para gente contando como foi!

 

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