O PROFISSIONAL DE RI NO MERCADO DE TRABALHO DO ESPORTE

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Há alguns anos os recrutadores viam com muito estranhamento um Internacionalista concorrendo a uma vaga de trabalho relacionada ao esporte. Quer seja pelo crescimento dos cursos de Relações Internacionais e do universo da indústria do esporte no país, esta não é mais a realidade. Atualmente, o papel do esporte como “Soft Power” é muito mais evidente do que antes. Uma das razões para o Brasil ser sede dos Jogos da XXXI Olimpíada – Rio 2016 é justamente este.

Um dos pontos mais fortes para nós é a qualidade da nossa formação multidisciplinar, capacidade de raciocínio e análise de diferentes cenários nos contextos nacionais e internacionais. O domínio de outros idiomas é fator fundamental. O internacionalista concentra-se, sobretudo, na parte operacional do esporte, em Federações Nacionais e Internacionais, Comitês Olímpicos e Comitês Organizadores de grandes eventos esportivos. Conheço muitos colegas envolvidos nessas instituições e fiquei muito feliz em encontrar muitos no comitê organizador dos Jogos Rio 2016. São as mais diversas frentes de atuação, desde protocolos (tanto Olímpico quanto de Chefes-de-Estado e/ou Chefes-de-Governo), comunicação e relacionamento com organismos (não-esportivos) e federações esportivas e internacionais; realização de eventos; planejamento e liderança de delegações em digressões ao exterior, bem como receber as estrangeiras em território nacional. Além disso, o profissional de RI caso queira seguir a carreira Acadêmica, possui um campo imenso a ser pesquisado. Um deles, é o Olimpismo. Ademais, como falado anteriormente, o tema “Soft Power” atrai muitos colegas e o esporte é item importante deste aspecto.

Um parênteses: recentemente o Escritório de Relações Culturais e Educacionais do Departamento de Estado Norte-Americano (Bureau of Educational and Cultural Affairs – US Department of State) criou uma divisão chamada “Sports United”, que crê a diplomacia através do esporte (Sports Diplomacy) ser capaz de aumentar o diálogo e o entendimento cultural entre pessoas ao redor do mundo.

Jovens brasileiros participam de programa de intercâmbio esportivo nos EUA em 2013. Iniciativa foi promovida pelo Consulado do país em São Paulo com apoio do Bureau of Educational and Cultural Affairs – US Department of State. Uma ação de diplomacia por meio do esporte. Fonte: https://eca.state.gov

Para o internacionalista que pretende atuar na indústria esportiva, o envolvimento com o esporte é mais que fundamental. É preciso respirá-lo, vivê-lo. No entanto acho que isso não será problema, afinal somos apaixonados por ele, cada um pela sua modalidade. É quase unanimidade. Porém, sugiro que vão atrás de entender os bastidores para o esporte acontecer. Um estágio (no princípio infelizmente a maioria dos lugares serão não-remunerados porque a indústria do esporte no Brasil é bem recente) é bem importante para conhecer a área. Organização de competições universitárias (ou mesmo fora das Universidades) dão uma grande noção do mercado de trabalho no esporte. Participar de palestras, seminários e conferências garantem uma boa rede de relacionamentos. Participar de grandes eventos como voluntário, além de visitas técnicas a organizações esportivas fora do país (clubes, ligas, eventos e federações) preenchem bem o currículo, mas antes disso, vão te dar um norte para aquilo que realmente querem fazer. Por fim, uma pós-graduação específica em esporte  proporciona mais oportunidades.

No mais, desejo a todos muita força para seguirem em frente e tenham sempre muita vontade de trabalhar!

*Virgílio Franceschi Neto é Analista Internacional, comentarista da ESPN e pesquisador da Escola de Educação Física e Esporte da USP. Nas Olimpíadas do Brasil foi locutor do Comitê Rio 2016.

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