Como escolher sua carreira? – Parte 1

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Caros Colegas,

Uma das questões que mais recebo aqui no ”What’s Rel?” estão relacionadas às possibilidades de carreira em Relações Internacionais. Elas passam por perguntas como:

– O que faz um Analista Internacional?

– Porque escolhi fazer o curso de Relações Internacionais  e, posteriormente,

– Como escolhi minha carreira.

Não pretendo aqui responder a estas perguntas, mas sim apontar caminhos para que você consiga responde-las para você mesmo.

Durante toda nossa vida nos deparamos com situações em que necessitamos fazer escolhas. Desde as mais simples como ‘o que eu quero almoçar hoje’, como ‘ o que eu vou fazer pro resto da minha vida profissionalmente’. Sempre fiz as minhas escolhas de forma bastante racional… algumas, com uma pitada de emoção envolvida, afinal, somos todos humanos. Mas nunca parei para pensar sobre como é o meu processo de escolha.

Ao me propor o desafio de criar e escrever o “What’s Rel?” eu me deparei com muitas perguntas dos leitores que me fizeram refletir sobre o meu processo de tomada de decisão. Mas nunca me senti muito segura para escrever sobre isso aqui. Já escrevi diversos posts sobre experiências profissionais em que estive envolvida e os passos que trilhei neste caminho. Mas só pude fazer isso depois que eles aconteceram, sem entender exatamente como foi que cheguei lá, analisando passo a passo.

Assim, eu decidi fazer um curso da Universidade de Londres, intitulado “Enhance Your Career and Employability Skills”, ou “Amplie suas habilidades e as chances de crescer profissionalmente” do David Winter e da Laura Brammar (ainda não acabei o curso, mas estou adorando). Decidi verificar se há uma metodologia por detrás deste processo para poder compartilhar com vocês aqui.

No começo, fiquei receosa, pois o titulo do curso me remeteu muito à ideia de ser um curso de autoajuda, e esta não era minha proposta. Confesso que tenho certo preconceito com este tipo de literatura. Mas logo de cara vi que a ideia é trazer ao aluno uma forma de reflexão. Não há a intenção de dizer: ‘faça isso’ ou ‘faça aquilo’. E sim o levantamento de questões que podem lhe ajudar a identificar o que você acha ser melhor para sua carreira no curto, médio e longo prazo.

Desta forma, eu vou tentar passar para vocês aqui a minha percepção sobre o processo de tomada de decisão e gerenciamento da carreira, com base no que estou estudando e nos meus próprios exemplos, como tenho feito por aqui há alguns anos.

De cara eu tinha pensado: “Claro que a primeira pergunta vai ser: o que eu quero fazer da minha vida?” E começar a fazer uma lista enorme de objetivos e ir cortando os itens. Não, ela não era a primeira pergunta, embora vá aparecer em determinado momento. Me surpreendi pelo ponto de partida. Uma das primeiras questões levantadas é: O que é necessário para prosperar? Levando em consideração o fato de que as pessoas escolhem uma carreira por diversos motivos, mas eles sempre vão passar pelo fato de que queremos crescer, seja este crescimento profissional, emocional e/ou financeiro.

E então você vai passar pelos seguintes pontos:

-Conhecimentos específicos e habilidades: O que é necessário para exercer determinada(o) função/cargo? Quais são as habilidades que você precisa ter para atuar em determinada profissão? No caso de R.I. é sabido que saber outros idiomas é ferramenta fundamental na profissão.

– Habilidades de trabalho em geral e conscientização: Que características pessoais você precisa ter para exercer esta(e) função/cargo? Neste caso a resposta vai estar em características pessoais como: organização, capacidade de delegar tarefas, paciência… estas características podem ser intrínsecas da sua personalidade ou mesmo gerenciais.

– Gestão de habilidades para sua carreira: O que você precisa desenvolver para alcançar seus objetivos e ter progresso? Pense no que você pode alcançar que possa ser desenvolvido através da sua experiência profissional. Questões que muito provavelmente você não vai aprender num curso.

Esta ultima pergunta ainda passa pela questão relacionada aos seus objetivos de vida: Você tem um objetivo de realização profissional ou a sua profissão vai ser apenas um meio de alcançar seus objetivos?

Neste sentido, você começa a refletir sobre:

– Seu senso de controle: Quão proativo você é para alcançar seus objetivos? Com qual frequência você toma a iniciativa?  Às vezes eu tenho a impressão de que os cursos de Relações Internacionais são ocupados maciçamente por alunos que uma vez fizeram um intercâmbio e se deslumbraram com o mundo. Mas quando se depararam com a realidade teórica do curso, se viram completamente perdidos, esperando que a resposta fosse cair no seu próprio colo. Não há nada de errado em fazer intercâmbio.  Não há nada de errado em querer ganhar o mundo ou ter incertezas. Mas esperar que as respostas apareçam sozinhas, a meu ver, é completamente errado. E isso vale para qualquer escolha que você tiver que fazer na sua vida.

– Seu senso de clareza: O que é realmente importante para você? Quais são seus objetivos reais? Mesmo que você não saiba qual carreira seguir ainda, você precisa determinar seu objetivo maior de vida. Há vários caminhos para se chegar a ele. Se de repente você se pegar perdido entre ser médico, matemático, músico, atleta ou analista internacional, você está claramente num buraco negro de indecisão, porque nenhum destes caminhos terá de fato um objetivo maior comum (a menos que você queira forçar muito a barra para conseguir correlacioná-los). Se você conseguir identificar este ‘objetivo maior’ na sua vida, vai conseguir pelo menos começar pela eliminação daquilo que não lhe atende.

– Seu senso de confiança: Como é seu poder de decidir-se? Quem é você e o que você pode oferecer ao seu empregador? Já vi vários colegas que ao se depararem com um potencial empregador que lhes perguntou a famigerada questão ‘o que faz uma pessoa formada em Relações Internacionais?’, se viu explicando qual era a grade do curso e/ou o edital do Rio Branco. Não interessa o que faz um Analista Internacional. O que realmente importa saber é você, enquanto Analista Internacional, pode fazer pelo seu empregador, caso seja contratado? Trabalhe na construção de sua ‘marca pessoal’ e saiba como se vender na entrevista.

– Coragem: Quando foi a última vez que você se propôs fazer algo completamente novo? Algo fora da sua zona de conforto? É fundamental tentar coisas novas, desenvolver-se e crescer com os seus erros ao invés de ficar se lamentando por eles. Pode ser desde algo bem simples, como cozinhar um prato que você nunca fez, como algo mais complexo, como um curso intensivo de um idioma que você tem dificuldade. Se testando você vai se conhecer melhor, entender suas capacidades e limitações e logo, vai se vender melhor para o mercado de trabalho.

Por ora, o post fica por aqui. Mas ainda há muito assunto para conversarmos.

Aproveite o tempo até o próximo post para refletir sobre as questões propostas.

Se você gostou do que leu até agora ou tem dúvidas, deixe seu recado aqui!

 

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Internacionalista, mineira, radicada no Rio de Janeiro desde 2012. Idealizadora/Fundadora do What's Rel? (2011). Business Development Latin America para uma empresa canadense de engenharia, sócia da PAR Consultoria, e grande entusiasta da carreira de R.I. :)

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