Como Funciona um Think Tank de RI?

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Você sabe o que é um Think Tank? Este artigo é uma colaboração da internacionalista Clarice Anselmo, exclusivamente para o What´s Rel?!Além de compartilhar conosco suas experiências, Clarice nos conta um pouco sobre a atuação e papel dessas instituições no cenário atual. 

 

 O que é um Think Tank e como funciona?

Os Think Tanks são, por definição, instituições que se dedicam a produzir e difundir conhecimento sobre um determinado domínio.

Nessas instituições, reúnem-se acadêmicos e especialistas de diversas áreas, que se dedicam a projetos de pesquisa. Os Think Tanks estão presentes nos mais diferentes campos de conhecimento: desde meio ambiente, economia e saúde pública, até política externa e imigração. Onde quer que haja uma lacuna de conhecimento a ser preenchida, os Think Tanks podem atuar.

Quanto a sua forma de financiamento, existem algumas: os Think Tanks podem ser independentes, ou ligados a partidos políticos, universidades e governos.

 A quem e de que forma as estratégias são distribuídas?

Há quem diga que os Think Tanks apenas servem para influenciar a tomada de decisão de atores governamentais. Entretanto, o papel dessas instituições pode ir muito além. Uma vez que o conhecimento produzido é disseminado através de plataformas, ele também se torna uma ferramenta para a própria sociedade civil e o setor privado. 

As informações podem ser difundidas através dos mais diversos modelos, dentre eles: publicação de artigos, relatórios periódicos, policy briefs (textos mais concisos e objetivos) e white papers (normalmente voltados a governos, trazem uma análise mais completa e profunda do tema em questão).

Qual o impacto do trabalho de um Think Tank para a sociedade e para a área de RI?

Os Think Tanks existem desde os anos 70, mas foi depois da Segunda Guerra Mundial e durante a Guerra Fria que o modelo tomou mais força, especialmente, nos Estados Unidos. A segurança internacional e política externa tornaram-se temas urgentes e era necessário, mais do que nunca, recomendações nas quais as tomadas de decisão pudessem se apoiar.

Além de fontes super ricas para produções acadêmicas na área de Relações Internacionais, os Think Tanks foram e são até hoje ferramentas indispensáveis no papel de influência nos processos de resolução de conflitos e desenvolvimento de políticas públicas.

Curiosidade: World Think Tanks Ranking 

A Universidade da Pennsylvania divulga, anualmente, o Global go to Think Tank Index Report. Trata-se de um relatório que tem como objetivo identificar centros de excelência em pesquisa voltada a políticas públicas ao redor do mundo. O relatório inclui um ranking dos Think Tanks organizados em diversas categorias. Dentre os vinte melhores Think Tanks da América Latina, o Brasil possui mais de 5 representantes, dentre eles: a Fundação Getúlio Vargas (FGV) em primeiro lugar, o Centro Brasileiro de Relações Internacionais (CEBRI) e o BRICS Policy Center.

Experiência profissional em um Think Tank:

O meu primeiro contato com um Think Tank foi durante o período da faculdade, no qual estagiei em um Centro de Estudos e Pesquisas dos países BRICS: o BRICS Policy Center, no Rio de Janeiro. Apesar de levar o nome do bloco, a instituição desenvolve projetos paralelos com foco na Cooperação Internacional para o Desenvolvimento (CID) e países do Sul-global. Como a maioria dos Think Tanks, o BRICS Policy Center promove palestras e workshops, que reúnem regularmente experts de todas as áreas e países. 

Sem dúvida, a experiência em um Think Tank de Relações Internacionais é extremamente enriquecedora e pode gerar conexões importantes para toda trajetória profissional. Para os estudantes ou internacionalistas que, em especial, desejam seguir pela área de pesquisa ou políticas públicas, um Think Tank pode ser um excelente local de trabalho. Lá, trocam-se informações, experiências e o profissional estará em constante contato com a produção acadêmica da área.

Um Think Tank é, sem dúvida, um espaço de aprendizagem e troca de conhecimento. Dentre os principais projetos com os quais tive contato enquanto estagiária do BPC foram: A Plataforma Socioambiental, desenvolvido pelo Brics Policy Center, que se dedica ao estudo e promoção de debates acerca de temas como modelos de desenvolvimento e mudanças climáticas. Além dos policy briefs, a Plataforma mantém o RADAR Socioambiental, uma publicação regular com foco nas notícias sobre meio ambiente nos cinco países BRICS.

Também tive a oportunidade de estar em contato com o GSUM – Unidade do Sul-Global para Mediação, outro projeto do BPC dedicado à produção e difusão de expertise sobre mecanismos relacionados à resolução de conflitos internacionais, negociações e operações de paz. Por último, o BRICS-Urbe, mais um programa do Think Tank focado ao estudo de questões relativas ao ambiente urbano, tais como sustentabilidade, em cidades dos países BRICS e do Sul-global.

Requisitos para trabalhar em um Think Thank

Em geral, o profissional de Relações Internacionais que deseja atuar  na área de pesquisa de um Think Tank deve estar preparado para: ler um grande volume de publicações (a maior  parte em outro idioma), estar sempre atualizado e atento às notícias do mundo, saber trabalhar em grupos de estudo, lidar com prazos e, o mais importante, ter interesse no tema proposto pelo projeto. Como a maioria das vagas de emprego da área, o uso do inglês é essencial e demais línguas podem ser diferenciais. Dependendo do eixo de pesquisa do Think Tank, o idioma requisitado pode mudar, por exemplo, um Think Tank com foco em políticas econômicas na América Latina provavelmente irá demandar a língua espanhola. Outro diferencial em um processo seletivo são experiências prévias com projetos de pesquisa na faculdade ou quaisquer outros meios acadêmicos.

E você já pensou em trabalhar em um Think Thank? O que achou do nosso post de hoje? Conte para nós em nossas redes sociais. 

 

Este artigo foi produzido pela Internacionalista Clarice Anselmo, Secretária Executiva em uma Organização Internacional.

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