Entrevista com Liz Magacho

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“O cenário do comércio atual indica um crescimento para os próximos anos facilitando dessa forma o mercado de trabalho, a melhoria na economia global como um todo. Assim, os profissionais de RI podem ser beneficiados com o aumento da demanda funcional a partir do ano de 2019.”                 

Com perspectiva positiva para o mercado de trabalho no próximo ano, a Analista Internacional Liz Magacho fala com exclusividade ao What’s Rel? sobre sua experiência no setor privado e as vantagens de realizar um estágio no período da Graduação.

Graduada em 2011 em Relações Internacionais pela Universidade de Lasalle, e com Mestrado de Administração de Empresas (MBA) na área de estudo de Gestão de Negócios na UFRJ. Liz Magacho iniciou sua trajetória profissional como Estagiária de importação e exportação na empresa Hellmann Worldwide Logistics no ano de 2010. Atualmente é Analista de Importação e Exportação na empresa Equinor, função que exerce desde 2013 no Rio de Janeiro.

Confira abaixo a entrevista completa.

O que a motivou na escolha do curso?

Sou da área de humanas, e quando estava cursando o ensino médio, assim como todos os estudantes que se encontram nesse momento me vi com a responsabilidade de escolher a profissão para seguir por toda a minha vida. Na época, o curso de Relações Internacionais era relativamente recente no país, portanto, uma carreira extremamente promissora uma vez que muito se falava em relações globalizadas, e de um mercado cada vez mais aberto. Sou uma pessoa que sempre tive interesse pelas disciplinas de História, Geopolítica, gosto de uma boa reflexão e discutir sobre o que está por trás de algum acontecimento político no contexto social-econômico.

Como foi o seu processo de tomada de decisão para ingressar na carreira?

Como se ouvia falar muito sobre comércio internacional, comecei a pesquisar sobre o assunto mais afundo e me interessei. Decidi a fazer o curso, pois conhecia uma pessoa que estava se formando em RI e já estava ingressado no mercado do trabalho na área. Quando me graduei no ano de 2011, o Brasil estava em ascensão no mercado internacional, o que acabava facilitando novas vagas para o Analista Internacional, assim como na área de logística internacional, entre outras. Pesquisei sobre a grade curricular do curso e me identifiquei bastante.

 Conte um pouco da sua trajetória profissional e sua situação atual.

Eu me graduei em RI já pensando em me especializar na área de logística internacional. Fiz algumas matérias relacionadas a macroeconomia, geopolítica, finanças globais e técnicas de negociação. Com isso, me identifiquei, e, desde a graduação, já sabia que o meu maior interesse seria nessa área. Comecei a estagiar em uma empresa alemã especializada em comércio internacional. Nessa empresa eu dava suporte para o setor de importação marítima a qual era responsável por toda logística internacional em diversos segmentos como Oil & Gas, automobilístico, entre outros. Permaneci nessa empresa por um período de tempo e logo ali me encontrei.

 Em que medida a experiência do estágio foi importante na sua carreira?

Muito importante. É de extrema importância ter uma experiência de estágio para que o aluno possa estar capacitado em ingressar no mercado de trabalho após a graduação.  Através dessa experiência o aluno poderá analisar se esta é a área que ele irá seguir ao longo da carreira profissional. Dessa forma, o profissional entra em contato com a área na prática e pode ter uma visão mais clara das atividades nas quais vai querer se especializar no futuro.

 Em que consiste especificamente a sua atividade? Pode nos falar da sua rotina e responsabilidades profissionais?

Hoje eu trabalho na indústria de Oil & Gas. Me identifico bastante, pois desde a época do estágio a minha maior interface eram com as empresas da área do petróleo.  Atualmente eu trabalho para uma petroleira de origem norueguesa focada em logística internacional. Sou responsável por todo o trâmite de importação de cargas para suprir a demanda da plataforma de petróleo. Nas minhas atividades eu preciso realizar análise de mercado, ou seja, analisar os custos de transporte do país de origem até o destino final, carga tributária que deverá ser paga junto ao governo, análise de regras e leis que devem ser respeitadas nessas transações comerciais entre países com o foco na importação do bem em menor tempo, e com o menor custo possível.

 Muitos dos nossos leitores nos perguntam sobre a importância de fazer pós-graduação. Porque a escolha dessas áreas e como as especializações têm contribuído para o seu desempenho profissional?

Acho de extrema valia o aluno fazer curso extracurricular em um primeiro momento. Cursos estes que poderão qualificar o estudante para o seu desempenho profissional. Assim que iniciei o estágio, eu ingressei em um curso específico de logística internacional para obter maior conhecimento sobre a área.

Em um segundo momento, após no mínimo 1 ano/ 1 ano e meio de experiência profissional, acho válido o início de uma pós-graduação na área escolhida. Nesse momento o profissional já estará inserido no mercado de trabalho, e poderá absorver melhor as informações em sala de aula. Sendo assim, o profissional irá se manter atualizado da sua área, conseguindo reciclar conhecimentos antigos, e adquirir conhecimento mais rápido sobre um assunto que não foi estudado na graduação.

O networking que é realizado dentro de um curso de pós-graduação também é algo muito benéfico. É possível ampliar o horizonte de oportunidade, e com isso novos contatos podem ajudar a alavancar a carreira com maior facilidade.

Imaginemos que você tenha que contratar um analista internacional para trabalhar com você. Quais características o candidato deve ter para desempenhar a função?

Profissional com o inglês fluente, atento aos fatos, pois lida com bastante documentação e por isso o candidato deve ser organizado. O candidato deve ter visão de negócio, conhecimento cultural e atento aos fatos globais, pois todas essas características são de extrema importância para um profissional com sucesso nessa área.

Muitos jovens formam em RI e ainda não têm ideia de como se inserir no mercado de trabalho. Que dicas você daria para aqueles que estão iniciando a carreira?

Procurar estágio na época da graduação, pois dessa forma o profissional entra em contato com a área na prática, e com isso ficará mais fácil para o graduado em RI conseguir entrar no mercado de trabalho após a finalização do curso.

Em sua opinião, qual a maior dificuldade de um analista de RI com relação ao mercado de trabalho?

Vivemos há algum tempo durante uma desaceleração econômica no Brasil, o que acaba afetando o mercado como um todo e dificulta a inserção de novos profissionais no mercado de trabalho. Mas o cenário do comércio atual indica um crescimento para os próximos anos facilitando dessa forma o mercado de trabalho, a melhoria na economia global como um todo. Dessa forma, os profissionais de RI podem ser beneficiados com o aumento da demanda funcional a partir do ano de 2019.

Se pudesse dar alguma dica aos futuros analistas internacionais que desejam seguir a sua carreira, qual seria?

Para que o profissional se destaque no mercado de trabalho e garanta melhores qualificações, é importante a realização de estágios e trainee durante os estudos. A qualificação adequada e o esforço pelo aprendizado na área no meu ponto de vista é o que garantirá maior sucesso na carreira profissional dos futuros analistas internacionais.

Essa entrevista foi produzida com a ajuda da estudante de Relações Internacionais da UFRRJ e Colaboradora Voluntária Glayceane de Souza. 

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