Estágio na Organização Internacional de Migração: depoimento da internacionalista Bianca Frasson.

Depoimento da internacionalista Bianca Frasson sobre o estágio no escritório da Organização Internacional de Migração (OIM) no Cairo, Egito.

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A internacionalista Bianca Frasson está fazendo mestrado no Egito e estagiando no escritório da Organização Internacional de Migração (OIM) no Cairo. Por Facebook, ela nos passou o depoimento abaixo que pode ser inspirador para quem almeja começar uma carreira internacional. Confira! 

Bianca, por que você decidiu se mudar para o Egito?

Cheguei ao Egito em junho de 2015 para trabalhar como Diretora Nacional de Intercâmbios Profissionais para Estudantes, pela AIESEC. Trabalhei na minha gestão durante um ano e retornei ao Brasil em seguida. Quando retornei, estava buscando começar uma carreira em desenvolvimento internacional, de forma profissional, já que a AIESEC é apenas para estudantes e recém-formados. Por um conjunto de fatores, como integração minha com o Egito, qualidade de ensino na Universidade Americana do Cairo (AUC), custo de vida comparado à Europa, resolvi me aplicar para o mestrado de Migração e Refugiados na AUC.

Explique um pouco o que é a OIM, principalmente falando do escritório no Egito.

A OIM foi criada no pós-guerra em 1951 para gerenciar migração na Europa, mas seu mandato se estendeu para o mundo todo. Recentemente, começou a fazer parte do sistema ONU, como a agência da ONU para migração. O escritório do Egito foi aberto em 1991, junto com o regional, que opera no mesmo prédio e é responsável por 17 estados no norte da África e Oriente Médio.

Como você ficou sabendo da vaga de estágio?

Na verdade, quando eu me apliquei não tinha vagas em aberto. Como estou fazendo mestrado, precisava de conhecimento prático na área para me ajudar com minha tese e também para ter uma ideia do mercado de trabalho na área de migração. Então, minha ideia inicial foi contatar um professor meu do mestrado, pedindo uma vaga de estágio. Foi então que ele me recomendou para a OIM.

Como foi o processo seletivo?

Meu processo foi muito simples. Consistiu em enviar meu currículo com uma cover letter e depois apenas uma entrevista. Como eu tive a recomendação do meu professor, durante a entrevista já me apresentaram possíveis áreas para trabalhar e já estavam contando com o meu aceite para começar. Acredito que isso só foi possível pelo prestígio do meu professor (então escolher onde fazer mestrado e como são as credenciais do corporal docente é algo muito importante), também ajuda o fato de você se especializar no tema que a agência que você está aplicando trabalha. O sistema ONU é muito favorável se você possui pós-graduação, principalmente mestrado ou doutorado. Entrar no sistema ONU apenas com a graduação e experiência é muito competitivo e difícil, mas a história muda muito ao se especializar.

Que tipo de atividade você desenvolve?

Minhas atividades são de estagiária, não remunerada. Pelo caráter voluntário, trabalho apenas dois dias inteiros por semana e dois dias meio período. O que é muito bom devido à carga de leitura do meu mestrado. Minhas atividades são relacionadas a dois projetos, um sobre o site Bosla (bússola em árabe) que reúne informações sobre organizações que oferecem serviços e ajudas a imigrantes e refugiados. Também faço tarefas avulsas em outro projeto, mas por não ter sido lançado ainda não posso oferecer mais detalhes.

Pela sua experiência, qual o perfil de pessoas a OIM contrata?

A OIM tem preferência por pós-graduandos. Claro que você está um passo a frente com uma graduação em Relações Internacionais, mas apenas se você a complementa com uma pós-graduação, especialmente na área de migração. Acredito que profissionais de logística também tenham chances, já que a OIM realiza um serviço de repatriação, cuidando de visto e transporte para Migrantes que queiram voltar para seu estado de origem, mas que não possuem condições para isso. É relevante então possuir experiência na área de logística internacional, como trabalho em aeroportos, companhias aéreas ou com embaixadas e consulados.

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Jornalista e analista internacional apaixonado por Mountain Bike. Trabalha com Relações Internacionais e é Editor de Conteúdo do What’s Rel?

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