5 opções de atuação do profissional de RI nas Relações Governamentais

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Caso você, internacionalista, goste de política, negociação e ativismo social, as Relações Governamentais podem ser uma área que o(a) possibilite construir sua (bem sucedida) carreira. Neste post explicaremos o que é e como você pode desbravar essa área. 

Antes de ser indicado as 5 oportunidades em que o internacionalista pode atuar, é preciso, primeiro, definir o que são Relações Governamentais. 

Relações Governamentais, Advocacy e Lobbying fazem parte do contexto de formação da política pública e, às vezes, de modo errôneo, são utilizados como sinônimos. De modo básico e resumido, política pública é toda a ação que o governo realiza com base no interesse público. Dessa forma, no processo de formulação de uma política pública há a participação de inúmeros policy makers, como formadores de opinião, grupos de interesses, cidadãos, think tanks etc. É, então, nesse contexto que se situam as Relações Governamentais. 

Segundo Eduardo Carlos Ricardo da Patri, administrador e sócio fundador da Patri Políticas Públicas, as Relações Governamentais podem ser entendidas como um processo de gerenciamento de diversas etapas e ferramentas de trabalho para a defesa de interesse, como, por exemplo, o monitoramento das iniciativas de políticas públicas que positiva ou negativamente-os afetam, o lobbying, advocacy etc. 

A diferença entre lobbying e Advocacy  é em relação ao modo que são empregadas. Enquanto o Lobbying é direto, em que grupos de interesses, empresas ou indivíduos se aproximam do governo ou do Congresso Nacional, advocacy é indireto, realizado por meio de propagandas, artigos e eventos, as ONGs e movimentos sociais são os grandes representantes. É importante ressaltar que o lobbying, apesar de ser mal visto, é legal, e não deve ser confundido com corrupção e tráfico de influências.  

relações governamentais
Advocacy – Anistia Internacional

Agora que você já sabe o que são as Relações Governamentais, confira as cinco áreas de atuação do profissional de RI dentro desse tema: 

  1. Empresas Privadas – São as grandes utilizadoras das Relações Governamentais. Um bom exemplo de atuação nesse setor é o profissional que atua no segmento de energia e precisa acompanhar as mudanças na legislação brasileira a respeito de determinado assunto que pode gerar mudanças nas ações da empresa. Isso se aplica a diversos setores da economia, como agricultura, pecuária, meio ambiente, papel e celulose, dentre outras.  O internacionalista nesse caso pode atuar com o lobby direto no Congresso ou no acompanhamento do diário oficial, portarias ou outros tipos de veículo de informação. 
  2. Assessorias e Consultorias  –  São empresas, geralmente da área do Direito, com o objetivo de fornecer ferramentas de Relações Governamentais, representando uma empresa ou indivíduo, junto ao poder decisório; possui um papel semelhante ao das empresas privadas, mas, de forma geral, representam mais de um cliente. Nesse tipo, é mais comum o analista internacional trabalhar como um negociador direto em instâncias decisórias. É possível também que as empresas privadas terceirizarem o acompanhamento da legislação junto às assessorias e consultorias. 
  3. ONGs* – Ainda que em desenvolvimento no Brasil, a participação das ONGs na formulação das políticas públicas já é um fato. Um dos casos famosos de advocacy foi realizado pela Anistia Internacional, quando possuía  o objetivo ambicioso de fazer com que os países membros da ONU assinassem um compromisso de regular a compra e venda de armas no mundo. A campanha possuía o slogan “O comércio de bananas é mais regulado do que das armas”. O internacionalista em uma ONG na área de Relações Governamentais pode atuar tanto barganhando a nível nacional quanto internacional, em órgãos multilaterais. 
  4. Organizações da Sociedade Civil (OSCIP) – Já bem consolidados nos Estados Unidos e ainda em desenvolvimento no Brasil, as OSCIPS são um tipo de ONG que possuem interesse público, logo, participam como um player da formulação da política pública. Um dos casos de destaque é o “MinhaSampa”, que tinha como objetivo criar um espaço de lazer e convivência no coração da cidade de São Paulo. Depois reuniões com o governo, conseguiram a concretização dessas áreas de lazer. O internacionalista aqui atua como um porta voz das causas populares junto aos órgãos decisórios. 
  5. Outros  – há ainda diversas outras opções de atuação, como sindicatos, organismos Internacionais, conselhos regionais e federais, cooperativas etc. 

E como você pode se preparar para essa área? 

De acordo com o Congresso em Foco, em uma pesquisa realizada em sua própria base de dados, as 5 competências que mais apareceram foram: 

  1. Inglês – com 81,5% das vagas; 
  2. Monitoramento político e inteligência – 69,2% das vagas;
  3. Experiência anterior – 69,2% das vagas;
  4. Gerenciamento de questões e risco político – 59,2%;
  5. Formação em áreas correlatas – 59,2%;

Essas 5 características são as mais requisitadas, entretanto não é o suficiente para se destacar. Uma outra parte da pesquisa, resumida aqui, informa que competências ligadas à inteligência, estratégia, articulação e interlocução pesam mais na decisão de contratar um candidato.

Se você se interessou por esse post, confira aqui a nossa entrevista com a Analista Internacional Larissa Wachholz, que é vice presidente do Instituto de Relações Governamentais.

E, aí, gostou dessa área de atuação? Conta para a gente se você já conhecia!

*O termo ONG é utilizado de modo genérico

Bibliografia 

http://www.revistas.usp.br/organicom/article/view/139089/134438

http://www.cause.net.br/ainda-e-necessario-esclarecer-conceitos-lobby-x-advocacy/

https://www.minhasampa.org.br/

https://www.politize.com.br/casos-de-advocacy-inovadores/

https://endeavor.org.br/pessoas/area-relacoes-governamentais/

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