Parte 2 – Relações Internacionais e Comunicação: É possível conectar as duas áreas?

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Você se lembra daquele desafio do mês de Setembro? Dando continuidade ao tema Comunicação e Relações Internacionais, sugerido pela leitora Raquel Paiva, o post de hoje vai abordar um pouco mais da intersecção entre essas duas áreas fascinantes. Nosso objetivo é mostrar o quão amplas são as possibilidades de inserção no mercado de trabalho quando se pretende atuar com comunicação tendo foco as relações internacionais – ou vice-versa.

A comunicação em empresas multinacionais

Devido ao crescente processo de globalização e a consequente expansão das empresas multinacionais, percebe-se uma tendência de crescimento e fortalecimento dos setores de comunicação. Sabemos que empresas de atuação global possuem áreas de comunicação divididas por países ou até mesmo regiões. Por isso, é importante que haja um alinhamento estratégico entre a comunicação global e local, o que exige profissionais de comunicação com características de internacionalista. Vejamos as dificuldades que essas empresas podem enfrentar e como um profissional dessa área deve estar atento a esses detalhes.

A Barreira Linguística pode ser uma delas, a fluência no idioma é essencial, principalmente no inglês, mas saber os termos técnicos facilita a comunicação para todos, procure investir no seu Bussiness English.  A questão Cultural é outro dilema para essas empresas, desde a pontualidade, aspecto muito importante para outros países e um pouco negligenciado pelos brasileiros, até mesmo a forma como as pessoas se cumprimentam. Sendo assim, pesquise sobre os costumes locais do país que irá estabelecer uma relação profissional. Já pensou como é difícil realizar uma call com pessoas de diversos lugares do mundo? O Fuso Horário é um fator relevante para a comunicação dentro dessas empresas, alguém terá que flexibilizar seu horário, pois provavelmente estará acordado pela madrugada participando de uma call. E por fim a Tecnologia que facilitou e muito essas conexões, podem ser um problema, pois nem todos os países possuem o mesmo padrão de conexão e velocidade de internet, claramente os países desenvolvidos tem uma maior qualidade. Portanto, esteja atento a esse detalhe ao marcar suas reuniões, envie a apresentação em Power Point com no mínimo um dia de antecedência, marque as reuniões no horário de menor fluxo de dados nos países com deficiência em tecnologia a fim de  minimizar os problemas de delay.

As multinacionais ao se instalarem no Brasil enfrentam outro dilema: como realizar a comunicação com o seu público alvo? Será que somente colocar propaganda na TV ou em sites resolve o problema? Claramente não! É nesse momento que o profissional de Comunicação entra em jogo. A Coca-Cola é uma multinacional que entende desse assunto. Em 2017 a empresa lançou o seu programa Comunicação Integrada de Marketing, cujo objetivo é exatamente entender as preferências do seu público alvo e alinhar com os objetivos de negócios da companhia. “Nosso dia a dia em Comunicação é buscar a excelência criativa no conteúdo que a gente produz e entregá-lo da melhor maneira possível ao consumidor” — Patrícia Pieranti, gerente de Comunicação da Coca-Cola. Assim como a Coca-Cola, outras empresas atuam dessa maneira.

Desta forma, é possível encontrar um mercado de trabalho extenso nas áreas de marketing, relações públicas e assessoria de imprensa em um contexto internacional. O marketing internacional é a área de maior destaque, pois, ainda que a empresa não esteja em um processo de internacionalização, como comentamos no post anterior, as multinacionais necessitam estar em constante contato com o mercado em que estão inseridas para a criação de campanhas publicitárias, dentre outras necessidades comunicacionais.

Setor Diplomático

A diplomacia tem como um dos objetivos promover a imagem do seu país no exterior por meio de uma boa comunicação com o seus públicos estratégicos. É por isso, que esse setor demanda profissionais que atuem na área de comunicação e que preferencialmente tenham conhecimento das relações internacionais. Se você deseja trabalhar nesse setor, os Consulados e Embaixadas são uma ótima oportunidade.  Assessores de imprensa, profissionais de relações públicas e publicitários são constantemente contratados por consulados e embaixadas de diversos países para promoverem a estratégia de comunicação no Brasil. Entretanto são exigidos alguns requisitos: o conhecimento prático das realidades políticas, sociais e econômicas do Brasil, conhecimento dos protocolos para lidar com funcionários de alto nível, familiaridade com relações públicas / técnicas de marketing e o conhecimento das personalidades da mídia e dos meios de comunicação.  Além disso, a diplomacia busca por profissionais que tenham pensamentos criativos, escrevam bem em Português e Inglês; e saibam usar software de computador (Microsoft Office, Outlook, Internet, ferramentas de mídia social), portanto, procure aprender novos softwares, por exemplo, os PDCRM e MAT, exigidos pelo consulado americano.

Comunicação nas Organizações Internacionais

Toda Organização Internacional de grande porte possui áreas de comunicação. Trabalhar nelas é juntar perfeitamente Comunicação e RI. Vejamos alguns exemplos.

A ONU possui o Departamento de Informação Pública (DPI), estabelecido em 1946, com o objetivo de promover a conscientização global e a compreensão do trabalho das Nações Unidas. Existe um total de 63 Centros de Informação das Nações Unidas (UNICs) responsáveis por realizar parcerias com o governo, sociedade civil e setor privado no intuito de estender a mão às instituições de mídia e educação mantendo bibliotecas e recursos de informação eletrônica. Os UNICs se constituem, portanto, a principal fonte de informação sobre o sistema das Nações Unidas nos países onde estão localizados. Juntos são responsáveis por promover a compreensão pública e apoiar os objetivos e atividades das Nações Unidas

Os Médicos Sem Fronteiras é uma ONG que frequentemente tem divulgado oportunidades para profissionais que desejam trabalhar com comunicação. Em suas vagas nesse setor, procuram por profissionais que possam desenvolver estratégias digitais, considerando as tendências do mercado, alinhando aos objetivos do MSF de aumentar o conhecimento e visibilidade de crises humanitárias, e o trabalho desenvolvido pela organização junto ao público brasileiro. Tem por requisito o profissional que saiba analisar e monitorar estatísticas digitais, com experiência em gestão de plataformas/ferramentas digitais – redes sociais, sites, e-commerce, e-mail marketing, Google Adwords, Google Analytics, dentre outras.

O Greepeace, Instituto Igarapé, Malaria No More  e outras organizações internacionais, possuem grande capacidade de comunicação e visibilidade internacional das causas em que atuam. Portanto, necessitam de profissionais para atuar na área de comunicação. Se você deseja aliar comunicação e RI, talvez as organizações internacionais sejam o primeiro passo para iniciar sua carreira.

Dica Bônus

Confira mais sobre a diplomacia na mídia (media diplomacy) e a diplomacia feita pela mídia (Media-Broker Diplomacy). http://www.dialogosinternacionais.com.br/2015/11/midia-e-relacoes-internacionais-o.html

Confira sobre Diplomacia Digital em:A diplomacia do twitter no governo Temer – os primeiros apontamentos – https://seer.ufrgs.br/index.php/ConjunturaAustral/article/view/71024

Maiores Informações sobre o Departamento de Informação Pública da ONU, acesse http://www.un.org/en/sections/department-public-information/department-public-information/about-dpi/index.html

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