17 Romances para estudar Relações Internacionais

Selecionamos 17 romances que tratam de temas estudados por nós em Relações Internacionais. Terrorismo, totalitarismo, guerras, espionagem, colonialismo, diplomacia e muito mais.

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Que tal aprofundar os estudos de RI por meio da literatura? O What’s Rel? dá uma forcinha aos leitores vorazes e apresenta 17 romances que tratam de temas estudados por nós analistas internacionais. Terrorismo, totalitarismo, guerras, espionagem, colonialismo, diplomacia e muito mais. Confira nossas sugestões de leitura e nos indique mais livros.

Leia também: 15 filmes que você TEM que assistir antes de se formar em Relações Internacionais.

1 – O Mundo se Despedaça, de Chinua Achebe

O livro é considerado por críticos como fundador da moderna literatura nigeriana e, sem dúvida, uma das mais importantes produções literárias do continente africano. Things Fall Apart (O mundo se despedaça), narra de maneira magistral a desintegração da sociedade tradicional da região diante da chegada dos colonizadores britânicos. O romance conta a história de uma família infeliz do povo Ibo na qual o filho atormentado pelo pai autoritário foge de casa para juntar-se aos missionários cristãos, com consequências inesperadas para toda a aldeia. Para os analistas internacionais e entusiastas da história, o livro é indicado para compreender o processo de colonização na África, a opressão do estrangeiro, a transmissão de valores, sobretudo religiosos, e a instauração das instituições ocidentais no continente.

Nós já fizemos um post sobre esse clássico da literatura africana. Confira aqui.

2 – Submissão, de Michel Houellebecq

França, 2022. As eleições presidenciais são vencidas por Mohammed Ben Abbes, o candidato da Fraternidade Muçulmana. Carismático e conciliador, Ben Abbes agrupa uma frente democrática ampla. Mas as mudanças sociais, no início imperceptíveis, aos poucos se tornam dramáticas. Quem narra a história é o personagem François, um acadêmico solitário e desencantado, que espera da vida apenas um pouco de uniformidade. Tomado de surpresa pelo regime islâmico, ele se vê obrigado a lidar com essa nova realidade, cujas consequências, ao contrário do que ele poderia esperar, não serão necessariamente desastrosas. Quem acompanha a política na França e em toda a Europa não pode deixar de conferir essa dica de leitura.

Anteriormente, já falamos desse livro em um post mais completo. Clique aqui e leia.

3 – Diplomacia suja, de Craig Murray

Livro autobiográfico, escrito em forma de romance. Quando chegou ao Uzbequistão, Craig Murray era um diplomata em ascensão. A missão do embaixador era fortalecer as relações comerciais entre aquela ex-república soviética e a Grã-Bretanha e, se possível, dar uma mãozinha aos americanos na guerra contra o terror. Deparou-se, contudo, com espinhosas surpresas. Neste contundente relato, o ex-embaixador do Reino Unido no Uzbequistão revela as engrenagens sujas e secretas do mundo da diplomacia e suas aventuras como protagonista involuntário na guerra contra o terror.

Em meio a perseguições políticas e muita diplomacia suja, Murray fala também de sua conturbada vida pessoal e da paixão por uma stripper de Tashkent, improvável aliada do diplomata que deixou uma carreira brilhante para dedicar-se a uma causa que ninguém ousaria defender.

4 – Senhor Embaixador, de Érico Veríssimo

Um dos mais populares escritores brasileiros do século XX, Érico Veríssimo brinda os analistas internacionais ao criar “Senhor Embaixador”, obra que questiona o sentido das revoluções e golpes militares nos países latino-americanos, debate o papel do intelectual em meio aos conflitos e defende a luta por princípios e o horror à violência.

O romance retrata a ditadura em uma república fictícia, chamada de Sacramento, localizada na América Central. Érico Veríssimo mescla as arbitrariedades do regime militar, arbitrariedades das revoluções políticas e o espírito consumista proveniente do estilo de vida americano. Senhor Embaixador é um retrato crítico e mordaz dos problemas políticos que assolam a América Latina. Concebido sob o impacto da Revolução Cubana e publicado um ano após o golpe de 1964, o livro foi um marco da resistência do escritor gaúcho.

5 – Gostaríamos de informá-lo de que amanhã seremos mortos com nossas famílias, de Philip Gourevitch

Gostaríamos de informá-lo de que amanhã seremos mortos com nossas famílias não é um romance, mas sim um livro-reportagem escrito em prosa límpida e calorosa que mescla testemunho e reflexão sobre o genocídio de Ruanda, um dos episódios mais terríveis do nosso tempo. É sem dúvida um dos documentos literários mais importantes sobre Ruanda e, por isso, está em nossa lista.

Entre abril e julho de 1994 mais de um décimo da população ruandesa foi exterminada, num genocídio só comparável ao Holocausto. A tragédia, supostamente motivada pelo “ódio ancestral” entre as duas etnias, teve na verdade origens políticas e econômicas muito concretas. Durante três anos, o jornalista norte-americano Philip Gourevitch mergulhou na realidade ruandesa para tentar desvendar o amplo contexto cultural, político e étnico dos acontecimentos.

A narrativa trata da invisibilidade sofrida pelos ruandeses, em especial os da etnia tutsi, durante e após o genocídio de 1994. O jornalista, que se torna mediador de um país que está à margem do mundo, deixa falar os sujeitos que experenciaram o genocídio em Ruanda.

6 – Guerra e Paz, de Leon Tolstói

Não desanime ao saber que o clássico de Leon Tolstói, Guerra e Paz tem mais de mil páginas. Veja por outro lado, anime-se com a ideia de que vai ler um dos melhores romances de todos os tempos. O enredo deste clássico da literatura russa se passa durante a campanha de Napoleão na Áustria, e descreve a invasão da Rússia pelo exército francês e a sua retirada, compreendendo o período de 1805 a 1820. O jogo da política, as intrigas da corte, as tramas da sociedade, as táticas da nobreza arruinada, a brutalidade da guerra, sua banalidade e seus acasos. Os bastidores do poder são desvendados em Guerra e Paz.

7 – 1984, de George Orwel

O clássico da distopia não poderia ficar de fora da nossa lista. Escrito pelo jornalista, ensaísta e romancista britânico George Orwell e publicado em 1949, o texto nasceu destinado à polêmica. Foi traduzido em 65 países, virou minissérie, filmes, inspirou quadrinhos, mangás e até uma ópera.

Inspirado nos regimes totalitários das décadas de 30 e 40, o romance trata de um personagem chamado Winston, que vive aprisionado em uma sociedade completamente dominada pelo Estado. A submissão ao poder é relatada na rotina do personagem, que trabalha com a falsificação de registros históricos no órgão estatal chamado de Ministério da Verdade, cuja função é moldar o passado para satisfazer o presente tirânico.

Considerado um clássico moderno, o livro não é só uma crítica ao totalitarismo, mas também um alerta sobre o nível de submissão dos indivíduos.

8 – Nada de novo no Front, de Erich Maria Remarque

Clássico, o livro escrito por Erich Maria Remarque (1898-1970), um veterano da Segunda Guerra, foi feito a partir das lembranças da sua própria participação na guerra, durante a qual foi ferido três vezes. A obra é não apenas atual, como conserva intacta a sua força criadora e o seu poder de emocionar o leitor. Foi traduzida para 58 línguas e já vendeu mais de 10 milhões de exemplares no mundo todo

Paul Baumer é filho de uma humilde família alemã durante a Primeira Guerra Mundial (1914-1918). Convencido de seu dever patriótico por adultos e professores, abandona os bancos escolares e junta-se às trincheiras de soldados alemães. Em pouco tempo, Paul se vê cercado por um ambiente de horror, vê meninos como ele perecerem e percebe que trocou a sua juventude por uma única e cruel certeza: a do absurdo da guerra, esteja-se do lado que se estiver.

9 – O Rebeldede Jack Whyte

No livro O Rebelde, o primeiro da trilogia Corações Valentes, Whyte homenageia William Wallace, personagem central das guerras de Independência da Escócia, um dos principais nomes da revolução escocesa no século XIII. Ótima leitura, com cenas impactantes capaz de nos localizar com o tempo dos fatos revelando a crueza dos homens e de suas ações, assim como nos embrenhar em tramas políticas, na guerra, ou na simples tentativa de um homem considerado fora da lei, mas o único capaz de dar voz ao seu povo oprimido e perseguido pelo poder da coroa inglesa.

10 – O Fundamentalista Relutante, de Mohsin Hamid

Um executivo paquistanês, Changez, vive o sonho americano em Nova Iorque. Depois de estudar em Princeton, onde fora o primeiro colocado de sua turma, Changez é contratado por uma grande empresa. Sua paixão pela bonita e elegante Erica é uma promessa de entrada na alta sociedade de Manhattan. Mas após os atentados de 11 de Setembro de 2001, a situação de Changez na sua cidade adotiva altera-se subitamente, bem como sua relação com Erica, o que o faz questionar sua identidade e ideais políticos. É uma excelente obra literária sobre os impactos do terrorismo contemporâneo.

11 – The Sorrow of War, de Bao Ninh

A guerra do Vietnã sob a perspectiva dos vietnamitas. O livro é narrado por Kien, um soldado Vietnamita. A obra, que não tem tradução para o português, conta uma tocante história de amor e inocência perdida, por meio de um casal de namorados separados pela brutalidade da guerra, e um olhar cético sobre as divisões entre capitalismo e comunismo.

12 – Os cus de Judas, de António Lobo Antunes

Logo depois de voltar da guerra em Angola, o psiquiatra português António Lobo Antunes escreve ‘Os Cus de Judas’, sobre suas experiências naquele país. O romance se tornou um enorme sucesso, vindo a ser o primeiro grande livro sobre o conflito e a independência angolanos e uma referência histórica obrigatória.

13 – A Montanha Mágica, de Thomas Mann

A grande obra-prima de Thomas Mann não poderia ficar de fora dessa lista. Durante uma inesperada estadia em um sanatório para tuberculosos, o jovem engenheiro Hans Castorp relaciona-se com uma miríade de personagens enfermos que encarnam os conflitos espirituais e ideológicos que antecedem a Primeira Guerra Mundial. Um dos grandes testamentos literários do século XX e uma das obras inesgotáveis da ficção ocidental. Trata-se de um livro magnífico, mas não necessariamente fácil de ler, onde grande parte da mentalidade europeia do início do século XX encontra-se representada.

14 – O Coração das Trevas, Joseph Conrad

Publicado em forma de livro em 1902, Coração das Trevas é um dos clássicos da literatura do século XX, conhecido também por ter servido de base para o filme Apocalypse Now!, obra-prima de Francis Ford Coppola, que retrata da Guerra do Vietnã. Aqui vale lembrar o filme se desvia extensivamente da obra literária de sua origem.

A obra é baseada na experiência de Conrad como um capitão de barco a vapor na África, se passa no Estado Livre do Congo durante o século XIX. No romance, o jovem agente de uma empresa de comércio de marfim relata a viagem de pesadelo que fez subindo o rio Congo, à procura do Sr. Kurtz, outrora uma estrela da empresa, que se embrenhou no interior da África e enlouqueceu, criando seu próprio mundo megalomaníaco pela submissão dos nativos, governando uma pequena tribo como um deus. Mostra bem a força destruidora do colonialismo.

15O Leopardo, Tommaso di Lampedusa

Na iminência da unificação italiana, Fabrizio Falconeri, um príncipe das Duas Sicílias, acompanha melancolicamente a queda da aristocracia. Os conflitos pela unificação são agudos e o afã da burguesia pela ocupação do espaço aristocrático é flagrante. Em meio a tudo isso, Tancredi, o sobrinho de Fabrízio se alia aos revoltosos nos conflitos pela unificação. Porém, sua proximidade com os militantes é oportunista, seu interesse real é pela manutenção do status quo: é preciso mudar para ficar igual. Suas atitudes têm a aprovação e a admiração de Fabrizio. Como parte de seu plano de manutenção do poder, Tancredi se interessa pela bela Angélica, filha de um rico burguês que, assim como sua filha, tem interesse pelo status aristocrático.

16 A Mulher Foge, de David Grossman

David Grossman, um dos mais aclamados escritores israelenses da atualidade, examina em seu livro A Mulher Foge como a brutalidade do conflito entre palestinos e israelenses paira sobre estas sociedades até nos momentos de relativa paz, criando uma cultura do medo que chega a invadir as relações mais íntimas entre amigos e familiares. Considerado um dos melhores romances sobre o conflito árabe-israelense. Veja o depoimento do autor sobre a obra abaixo:

17 – O espião que saiu do frio, de David Cornwell

Para o agente britânico Leamas, o mundo da espionagem durante a guerra fria estava cada vez mais longe da realidade. Quando seu último homem é morto ao tentar fugir para Berlim Ocidental, ele vê toda a rede que havia montado se esfacelar. Decide voltar, então, para Londres, endurecido e sem esperanças. Mas seus controladores têm novos planos para ele. Uma Grande operação esta sendo montada contra o chefe da inteligência da Alemanha Oriental. E, novamente, Leamas terá que penetrar na cortina de ferro, dessa vez para a missão mais importante de sua vida.

Em 2005, a revista Time o incluiu entre os 100 melhores romances de todos os tempos.

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