De Cabo Verde, a internacionalista Geovanna Giannini conta experiência como pesquisadora da ONU-Habitat.

Conversamos com a recém-graduada em Relações Internacionais Geovanna Giannini sobre seu trabalho na área de Desenvolvimento Urbano Sustentável da ONU-Habitat, em Cabo Verde. Confira como foi o processo seletivo e as principais atividades que ela desempenha na África.

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Formada em RI pela PUC – RJ, em2017, Geovanna Giannini está trabalhando desde março deste ano como Pesquisadora de Desenvolvimento Urbano Sustentável na ONU-Habitat – agência responsável pelos projetos de urbanização sustentável e assentamentos humanos. Em uma conversa com o What’s Rel?, a internacionalista nos contou como tem sido sua experiência profissional em um escritório da ONU em Cabo Verde, na África, e deu dicas para aqueles que pretendem trabalhar na organização.

Como você ficou sabendo da vaga?

Fiquei sabendo da vaga pelo Facebook. Ao longo da graduação eu desenvolvi o hábito de curtir páginas de vagas em RI, mas páginas oficiais também da ONU nos países, e das agências e programas da ONU em diversos lugares. Faço amizade também com pessoas que sempre compartilham vagas de RI. Curiosamente, uma pessoa compartilhou essa vaga da página da ONU Moçambique (e não Cabo Verde). Inicialmente eles precisavam de estagiários para os escritórios nacionais de alguns países lusófonos no continente africano – Quênia, Angola, Cabo Verde, São Tomé e Príncipe e Guiné-Bissau -, então me candidatei sem saber exatamente para qual país iria, caso fosse seria escolhida. Essa foi uma daquelas milhares de vagas que acabamos nos candidatando sem ter expectativas, sabe? Mas acabou que eles precisavam exatamente de alguém com meu perfil.

Como foi todo o processo seletivo?

O processo seguiu o padrão da ONU. Os selecionadores fizeram uma short list de candidatos e só contactaram os que iriam ser entrevistados. Recebi um e-mail cerca de 1 mês depois da minha candidatura, falando que eu havia entrado nessa short list e eles queriam fazer uma entrevista por Skype comigo em dado dia e horário – tive menos de 24h até lá e virei a noite me preparando e estudando sobre a UN-Habitat. No dia da entrevista, havia um painel de pessoas que me fizeram perguntas em inglês e em português, tudo com base em competências (é muito importante conhecer esse tipo de entrevista, pois eles pedem muitos exemplos de experiências que você já teve para ilustrar as competências) e com algumas perguntas técnicas relacionadas ao que já havia estudado na faculdade.

Quais as atividades que você desempenha? 

Desempenho o cargo de Pesquisadora de Desenvolvimento Urbano Sustentável e, no nível hierárquico da ONU, sou Assistente de Programa. Minhas tarefas incluem me familiarizar com as atividades do projeto e seus parceiros; me familiarizar com o mandato da agência para a qual trabalho (UN-Habitat) e com o Documento do Programa País Habitat, analisando várias publicações e documentos relevantes; dar apoio ao diretor sênior nas atividades relacionadas ao Programa País; dar assistência no desenvolvimento de documentos, orientações, materiais informativos e apresentações sobre política de planejamento urbano da UN-HABITAT, através da identificação e revisão de publicações e documentos relevantes, elaboração e comentários de documentos e assistência na produção de materiais informativos; auxilio na organização de reuniões, seminários, e qualquer tipo de evento; e na verdade faço quaisquer outras tarefas de apoio solicitadas pela Coordenadora da UN-Habitat em Cabo Verde.

Quais são os principais desafios e recompensas para quem trabalha fora do Brasil (nesse caso, Cabo Verde)?

Bom, essa experiência tem um peso completamente diferente por ser não apenas fora do Brasil, mas para a ONU. O nível de cobranças e o ritmo de trabalho são os principais desafios para mim, mas nada que não se possa resolver tendo bastante foco. Ficar longe de todos que conhecemos também sempre é um desafio a mais, mas que a cada vez que vamos, fica um pouco mais fácil.

Quanto às recompensas, é absolutamente incrível ficar imersa em uma nova cultura. Já tive oportunidade de conhecer outros países, mas trabalhar, conhecer o dia a dia, a forma de pensar, agir e a história através da população local é algo completamente novo para mim. É minha primeira vez no continente africano e Cabo Verde tem sido uma excelente porta de entrada. É um país com muitos intelectuais, que valoriza música e cultura, tem uma beleza natural exuberante e uma população acolhedora, que tem até uma palavra para isso, a famosa “morabeza” – que o Dicionário Houaiss define como “qualidade ou característica de quem é amável, atencioso, delicado; afabilidade, gentileza”. Como Cabo Verde foi o principal ponto de distribuição comercial de produtos e de tráfico de pessoas africanas escravizadas no Atlântico, visitar as construções históricas e observar as marcas profundas que esses anos trouxeram para a sociedade cabo-verdiana é uma experiência sem igual e que realmente nos coloca em nosso devido lugar. Sou muito grata por poder passar por tudo isso.

Se pudesse dar alguma dica às pessoas que aspiram trabalhar em algum projeto da ONU, qual seria?

Se candidate para tudo que tiver o seu perfil. Tudo mesmo! É cansativo, mas uma hora você vai acabar sendo exatamente o que eles precisam. Não escreva cartas de apresentação muito longas. Seja sucinto e deixe os detalhes para a entrevista. Quando chegar o momento de te entrevistarem, se prepare para o tipo de entrevista que a ONU faz (baseada em competências), pois eles entrevistam dessa forma para todos os níveis de vagas, desde estagiário, até para um staff sênior. É um tipo de entrevista que muitas empresas e organizações internacionais utilizam, e já ter suas respostas bem pensadas faz toda a diferença. Indo para as entrevistas com tudo preparado nos dá segurança e essa segurança é passada para os entrevistadores do painel.

Entrevista realizada em parceria com a internacionalista Clarice Anselmo.

 

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